No ano anterior, 10 jovens se reuniram na laje de uma casa na Favela Nova Holanda, dentro do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. O objetivo era a preparação para o vestibular. E foi assim que nasceu a uniFavela, uma ação iniciada por Arley Sena do Nascimento, que ao adentrar no curso de Química Industrial da UFRJ, resolveu ajudar outros alunos como forma de gratidão por ter alcançado seu objetivo. Com seu parceiro, Laerte Breno, estudante de Letras para formar a UniFavela – que por fim colhe bons frutos plausíveis, e o método  efetivamente revolucionário da educação se confirma na prática.

Na iniciativa, dos dez alunos participantes do curso, todos passaram e entraram na faculdade, isso mesmo! Todos entraram em faculdades públicas. Tirando proveito de um espaço sobre tijolos, a UNIFAVELA atingiu 100% de aproveitamento, um resultado bem mais atrativo que muitos estabelecimentos pagos e caros de cursinhos pré-vestibulares. “Nos reunimos para fazer um balanço e foi aí que nos demos conta de que dos dez alunos que frequentavam regularmente a laje, todos haviam conseguido vaga na Uerj, na UFRJ ou UNIRIO”, contou Letícia da Paz Maia, que aos 21 anos é professora voluntária de História na UniFavela, assim como uma das coordenadoras do projeto.

Quando começou as aulas eram improvisadas que aconteciam inclusive por meio de vaquinhas para cobrir gastos com xerox. A ação de sucesso levou a UniFavela a mudar para uma sala de aula clássica, dentro da ONG Vida Real, localizada na comunidade. Atualmente, o projeto conta com 21 professores, uma pedagoga e 2 educandos que ajudam na administração. – Todo esse trabalho é voluntario com a participação da maioria de jovens cotistas oriundos da própria comunidade, ajudam a iniciativa de ajuda, proporcionando a funcionar de segunda à sexta para aulas ministrada de uma segunda turma. Aos sábados, simulados, aulões, debates, oficinas e cineclubes são ofertados.

A UniFavela não deixa, no entanto, de enfrentar obstáculos: devido a criminalidade acontece rotineiramente patrulhas policiais que atrapalham os estudos durante o curso, e muito recente um professor teve que faltar pela falta de dinheiro para pagar o transporte público. Mediante tantos obstáculos surgem também a ajuda comunitária com a ação de todos fazendo uma vaquinha para possibilitar que o projeto continue ajudando quem precisa. Como corretamente falou o post da professora Letícia Maia, “Educação popular é resistência”.

Este artigo foi publicado originariamente no site- Hipeness, e foi reproduzido adaptado por equipe do blog cantinho.

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